Recentemente, nove crianças morreram em um acidente envolvendo um ônibus escolar na área rural de Montividiu, em Goiás. De acordo com uma pesquisa feita ano passado pela Universidade de Brasília (UnB), cerca de 66% dos veículos utilizados em área rural põem em risco a segurança dos passageiros.
Outro dado preocupante da pesquisa mostra que 70% dos ônibus e carros escolares que transportam cerca de 6.700 alunos em todo país já são muito antigos. Por causa da pesquisa, o governo já sabe que precisa tomar providências em relação a isso. "Vamos nos preocupar mais com essa realidade. Os dados ainda são catastróficos e demonstram que é preciso tomar medidas urgentes", afirma o coordenador-geral do programa de transporte escolar do Fnde, José Maria Rodrigues.
O levantamento foi realizado em dois mil municípios e contou com a participação de alunos, professores, motoristas e diretores de escolas rurais. Além da má conservação dos veículos, outros problemas identificados foram em relação ao tempo em que os alunos esperam para utilizar o serviço, além das rotas feitas pelos motoristas. "Tem criança que sai de casa às 9h para chegar a tempo para a aula que começa à tarde. E como geralmente são muitas rotas que levam crianças de várias localidades, algumas delas só chegam em casa à noite!", afirma o pesquisador do Centro Interdisciplinar de Estudos em Transportes (Ceftru), Willer Carvalho.
Insegurança
Muitas vezes, os ônibus vão lotados e há casos em que o improviso substitui a segurança. "Tem dias que chove dentro do ônibus e a gente chega todo sujo na aula. Já teve vezes que colocaram madeira no lugar das janelas para diminuir a chuva, mas o material escolar encharcou dentro da mochila", lamenta o estudante Fábio Dias, de 11 anos, do assentamento Vista Alegre.
Para Willer Carvalho, a pesquisa deixou evidente que o transporte escolar adequado é apenas uma das ferramentas que fazem o sistema educacional funcionar. "O que o país precisa é construir um modelo de planejamento. Nossa ideia é detalhar em 2010 quais as principais falhas no sistema educacional rural, incluindo estradas, ausência de escolas e transporte para oferecer uma qualidade mais ampla dos serviços", explica.